Literatura Portuguesa II

Aula 02: Romantismo


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O segundo momento do Romantismo português é chamado de Ultrarromantismo, que se desenvolve aproximadamente entre 1840 e 1860. Longe das influências neoclássicas, os autores desse período levaram a liberdade e subjetividade românticas ao extremo. Assim, guardadas as exceções, o sentimentalismo toca o limite da pieguice e o medievalismo chega ao esgotamento ou à morbidez gótica. Os poetas ultrarromânticos agrupavam-se em torno de algumas publicações literárias, sendo as mais importantes: O Trovador e O Novo Trovador.

Do Ultrarromantismo, destacaremos a prosa de Camilo Castelo Branco e a poesia de João de Lemos e de Soares de Passos.

Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco (Lisboa, 1825- São Miguel de Seide, 1890) notabilizou-se pela qualidade e pela quantidade de sua prosa, sendo Amor de perdição a mais famosa. Após uma formação juvenil concentrada nos estudos clássicos, houve ainda uma tentativa de curso de Medicina, ficando este por concluir. Em sua biografia, abundam lances de aventura amorosa, tendo ele experimentado a prisão por adultério. Passados os anos, apesar da fama literária, Camilo temia não ter como sustentar sua família numerosa. Pressionado pelo excesso de trabalho, doente e depressivo, comete o suicídio.

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Leitura complementar

Obras de Camilo Castelo Branco

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Poesia: Os pundonores desagravados (1845), O Juízo Final e o sonho do inferno (1845), A murraça (1848), Inspirações (1851), Nostalgias (1888), Nas trevas (1890).

Teatro: Agostinho de Ceuta (1847), O marquês de Torres Novas (1849), A morgadinha de Val de Amores (1882).

Romance e novela: Maria, não me mates, que sou tua mãe ( 1848), Anátema ( 1851), Mistérios de Lisboa ( 1854), Livro negro de padre Dinis ( 1855), A filha do arcediago (1855), A neta do arcediago (1856), Onde está a felicidade?  (1856), Um homem de brios (1857), Carlota Ângela (1858), O que fazem mulheres (1858), Cenas da Foz (1861), O romance de um homem rico (1861), Amor de perdição (1862, http://purl.pt/137 ), Coração, cabeça e estômago (1862), Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado (1863), O bem e o mal (1863), Amor de salvação (1864), A sereia (1865), A queda dum anjo (1866, http://purl.pt/139), O judeu (1866), O olho de vidro (1866), A bruxa de Monte Córdova (1867), A doida do Candal (1867), O retrato de Ricardina (1868), Os brilhantes do brasileiro (1869), A mulher fatal (1870), O regicida (1874), A filha do regicida (1875), A caveira do mártir (1875), Eusébio Macário (1879), A corja (1880), A brasileira de Prazins (1883)

Historiografia: O clero e o sr. Alexandre Herculano (1850), O perfil do marquês de Pombal (1882).

Crítica: Esboços de apreciações literárias (1865), Curso de literatura portuguesa (1876).

Polêmica: Os críticos do Cancioneiro Alegre (1879), Questão da Sebenta (1883).

Memória: Memórias do cárcere.

Correspondência: Castilho e Camilo: correspondência trocada entre os dois escritores (1924, http://purl.pt/798).


Um trecho de Amor de Perdição

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O romance é iniciado com a apresentação de um documento. O papel mostra a condenação ao degredo de Simão Botelho, então jovem de dezoitos anos. A habilidade de Camilo em captar a atenção do autor já começa com essa prova documental de uma injustiça contra o amor. A narrativa reconstituirá como a curta vida de Simão Botelho pôde chegar a esse ponto. Além proibição do namoro entre Simão e Teresa, à maneira de Romeu e Julieta, soma-se a paixão recolhida de Mariana por Simão, que tudo faz, apesar de seu sentimento, pelo bem dos apaixonados, formando-se um habilidoso triângulo de amor frustrado. A paixão que pode levar às ações mais desastradas é o motor desse que foi o mais lido de todos os romances de Portugal.

INTRODUÇÃO

Folheando os livros de antigos assentamentos, no cartório das cadeias da Relação do Porto, li, no das entradas dos presos desde 1803 a 1805, a folhas 232, o seguinte:

Simão Antônio Botelho, que assim disse chamar-se, ser solteiro, e estudante na Universidade de Coimbra, natural da cidade de Lisboa, e assistente na ocasião de sua prisão na cidade de Viseu, idade de dezoito anos, filho de Domingos José Correia Botelho e de D. Rita Preciosa Caldeirão Castelo Branco; estatura  ordinária, cara redonda, olhos castanhos, cabelo e barba preta, vestido com jaqueta de baetão azul, colete de fustão pintado e calça de pano pedrês. E fiz este assento, que assinei - Filipe Moreira Dias.

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Leitura complementar

A prosa de Camilo Castelo Branco no Material de Apoio

 

No Material de Apoio, há este e outros títulos de Camilo Castelo Branco: A brasileira de Prazins  (abrasileiradosprazins.pdf), Amor de perdição (amor_perdicao.pdf), Coração, cabeça e estômago (coracao.pdf), Os brilhantes do brasileiro (osbrilhantes.pdf).

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Curiosidades

Indicamos como leitura complementar o ensaio “A morte como transcendência em Amor de perdição, de Camilo Castelo Branco”, de Rosana Cássia Kamita, disponível em http://artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_7418/artigo_sobre_a_morte_com_transcendencia_em_amor_de_perdicao_de_camilo_castelo_branco.


João de Lemos

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João de Lemos Seixas Castelo Branco (Peso da Régua, 1819-1890) foi um dos fundadores da revista O Trovador. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Em Cancioneiro (1858, 1859 e 1866) e em Canções da tarde (1875), está reunida sua obra poética. Entrou na Academia de Ciências de Lisboa em 10 de julho de 1862. Seu mais conhecido poema é “A lua de Londres”, que está no Cancioneiro, é composto em décimas de redondilha maior (formato muito comum entre os poetas populares do Nordeste brasileiro).

A LUA DE LONDRES

Soares de Passos

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Soares de Passos (Porto, 1826-1860) cursou Direito na Universidade de Coimbra. No âmbito estudantil conimbricense, fundou O Novo Trovador. Sua obra poética foi reunida no livro Poesias (1856). A crítica o tem como o mais destacado poeta ultrarromântico. O poema “O noivado do sepulcro”, composto em quadras de decassílabos sáficos, é o mais lembrado de sua autoria, que apresentamos para sua apreciação. Além deste poema, vem “A Camões”, também de Soares de Passos.

Fórum

MUITO ROMÂNTICO

O Romantismo trouxe uma nova onda de sentimentalismo e emoção à arte do século XIX. Que traços românticos podem ser apontados na realidade de hoje? Procure exemplos na cultura em geral e nas artes em particular.

Responsável: Profª. Ana Márcia Alves Siqueira

Universidade Federal do Ceará - Instituto UFC Virtual